Certificação PMP – Mito #2: o exame para é decoreba pura

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Ser ou não uma prova “decoreba” é muito mais uma interpretação pessoal de cada um dos que já fizeram a prova. Os que ainda não a fizeram interpretam isso pelo depoimento dos demais ou pelos inúmeros simulados existentes no mercado. Pessoalmente, discordo fortemente desta qualificação da certificação PMP e explico porque penso assim em dois motivos principais:

1) Avaliação de Conceitos

Um princípio básico da prova é avaliar se o candidato conhece o que chamam de “Boas Práticas Mundiais” de gerenciamento de projetos. Mas, como avaliar se o candidato conhece o conceito?

É necessário que demonstre não somente o entendimento mas também que sabe diferenciar bem dos demais conceitos, sua aplicabilidade, resultados esperados, relevância, etc.

Em uma pergunta sobre o método de Monte Carlo, o candidato precisa entender o que é, quando usar, porque usar. Parece lógico, não? Então talvez o que alguns chamam de “decoreba” na verdade são perguntas checando se o candidato entende o conceito.

2) Entendendo é mais fácil

A chance de acertos na prova é muito maior se você entender os conceitos e sua aplicabilidade, mesmo que não pratique todo este conjunto de conceitos. Será que alguém pratica tudo? Acho que não. Por outro lado, considero que as chances de passar na prova são muito baixas para aqueles que somente decoram conceitos puros, sem entender a aplicação, possíveis alternativas ao método, etc.

Voltando à nossa questão sobre a técnica de Monte Carlo, ela provavelmente não poderia ser uma técnica de controle de qualidade (uma das respostas da suposta questão), mas poderia ser uma ferramenta que auxiliasse na obtenção do custo geral do projeto.

Permitiria associar um orçamento de projeto à uma probabilidade: 85% de probabilidade que o projeto seja executado dentro do orçamento. PMP deve saber disto! Você pode não lembrar daquela declaração bonitinha do conceito do Monte Carlo, mas entendendo a técnica terá facilidade nesta interpretação.

Mesmo no caso dos EFTSs (ITTO), as entradas, ferramentas, técnicas e saídas dos processos do Guia PMBOK®, entender por que aquele item está lá faz parte da compreensão das boas práticas, ajudará a entender quando e como usar cada técnica, que produtos geramos em cada ponto do gerenciamento de projetos e assim por diante.

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Não concordo com as técnicas de estudo que conduzem a decorar estes processos. Porém acho muito útil aquelas que reforçam a leitura, entendimento e posicionamento de cada uma delas. Como exemplo, onde é gerado o Fluxo de Caixa do Projeto? Nas estimativas de custo ou na orçamentação? (vou deixar você procurar esta resposta no Guia PMBOK).

Com isso, os mais experientes terão maior facilidade para entender os conceitos e se preparar para a prova. Ainda assim, é claro que mesmo os mais experientes precisam estudar muito, aprender conceitos não envolvidos no seu dia-a-dia de trabalho.

Efeitos nocivos da decoreba

Defendo também que a decoreba de conceitos pode ter dois efeitos gravemente nocivos:

  1. Bloqueará seu entendimento real do conceito. Isto poderá fazer que você não consiga estabelecer uma lógica adequada em questões que não envolvam diretamente o conceito. Decorar sem entender provavelmente o fará errar algumas questões preciosas para seu “score” final.
  2. Será péssimo no seu desenvolvimento profissional. Todo o conteúdo da prova considera as Boa Práticas Mundiais de Gestão de Projetos. Se você vai decorar, não entenderá o conceito, logo nunca entenderá como e quando aplicar na sua vida real. Um desastre absoluto! Se esta for a base da sua preparação e você passar, será o que o pessoal chama de PMP “fake”, ou seja, que no final conseguirá o título mas não demonstrará  entender o que estudou (ou decorou!).

Talvez alguns chamem “Decorar” simplesmente estudar os processos. Neste caso proponho passar a chamar de “estudar” para não influenciar negativamente os demais candidatos que podem entender errado isto.

É claro que a prova para Certificação PMP não é simples. Não pode ser! Assim vamos assumir que ninguém está esperando “gabaritar” no exame, portanto,  vamos considerar que algumas questões são realmente muito difíceis e você deverá errá-las, sendo ou não uma questão “decoreba”. O importante é que este número de erros esteja dentro da tolerância prevista.

Novamente fica uma dica: aproveite o processo de preparação para a certificação PMP para desenvolver-se. Não dá para acreditar que você investirá tanto tempo, energia e dinheiro apenas para um título. Então aproveite para aumentar sua “caixa de ferramentas”  de trabalho. Com certeza isto vai se refletir na qualidade do seu trabalho e portanto na sua carreira profissional.

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  1. A tradução para o português é horrível, melhor fazer a prova em inglês
  2. O exame é decoreba pura
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PMP®, PMI® e Guia PMBOK® são marcas registradas do Project Management Institute.

Andreia Justo

Sócia consultora da Euax, consultora em ERP pela UDESC, pós-graduada em Engenharia de Software pela PUC/PR, possui mais de 25 anos de experiência como gerente de projetos, certificada PMP, CBPP, e CSM pela Scrum Alliance.

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