Fronteira eficiente: como aplicar este conceito na gestão de portfólio de projetos

Fronteira eficiente

Uma situação comum nas organizações é a falta de um método estruturado para priorizar projetos. Geralmente o que se vê é a aprovação desenfreada das iniciativas até o limite do orçamento. Com o uso da chamada fronteira eficiente na gestão de portfólio, é possível alcançar combinações de projetos mais eficientes e montar uma carteira que proporcione o máximo de retorno com o mínimo de custos, buscando o balanceamento do uso dos recursos e evitando assim que todo o orçamento seja direcionado para poucos projetos.

Continue lendo este post para entender:

  • O que é a fronteira eficiente
  • Como aplicar a fronteira eficiente na gestão de portfólio de projetos

Vamos começar!

Antes de entrar no conceito de fronteira eficiente, é preciso dar um passo atrás e resgatar a Teoria Moderna de Portfólio, que teve origem na área de finanças e, mais recentemente, começou a ser aplicada na área de gestão de portfólio de projetos.

O que é a Teoria Moderna de Portfólio (TMP)?

A Teoria Moderna de Portfólio é um modelo matemático para definição de portfólios de investimentos, proposto pelo economista estadunidense Harry Markowitz em seu artigo “Portfolio Selection”, publicado em 1952. Este trabalho renderia a ele um Prêmio Nobel em 1990, concedido também aos pesquisadores Merton Miller e William Sharpe.

O modelo de Markowitz leva em consideração três aspectos: a relação risco-retorno, a diversificação dos investimentos e a fronteira eficiente.

1. Relação risco-retorno

Todas as decisões dos investidores se baseiam na relação risco-retorno. Afinal, entre dois ativos de mesmo retorno, o investidor escolhe o de menor risco. Já entre dois ativos de mesmo risco, o investidor escolhe o de maior retorno. Contudo, essa lógica não se aplica quando falamos de uma carteira de investimentos: o risco individual de um investimento perde importância quando ele está inserido em um grupo de ativos. Isto nos leva a um segundo ponto: a importância de diversificar os investimentos feitos.

2. Diversificação dos investimentos

Em sua pesquisa, Markowitz sugeriu a diversificação dos investimentos como estratégia para reduzir o risco. Em uma carteira com diversos ativos, cada qual com seu percentual de retorno e de risco, é possível utilizar essa diferença para otimizar a alocação de recursos, trazendo equilíbrio para a carteira de investimentos. Vamos a um exemplo para que você entenda melhor.

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Imagine que você tem R$ 10 mil para investir. O ativo A possui um risco de 10% e um retorno de 21%; já o ativo B possui um risco de 40% e um retorno de 25%.

O que você faria? Muita gente responderia que investiria 100% do dinheiro no ativo A, pois apesar de ter um retorno um pouco menor do que o ativo B (4% a menos), o risco também é incrivelmente menor (30% a menos).

E se a gente combinasse esses dois ativos em uma carteira de investimentos? Poderíamos investir, por exemplo, 90% do dinheiro no ativo A e 10% do dinheiro no ativo B, obtendo um retorno ligeiramente superior ao que teríamos se tivéssemos investido somente no ativo A e um risco muito inferior ao que teríamos se tivéssemos investido somente no ativo B.

A partir dessa análise e do cálculo proposto por Markowitz, conseguimos identificar — entre as várias possibilidades de combinação de investimentos existentes — quais delas se localizam na chamada fronteira eficiente, que veremos a seguir.

3. Fronteira eficiente

A fronteira eficiente é o conjunto de investimentos otimizados, que apresentam a melhor relação risco-retorno possível, potencializando a alocação dos recursos. Ela pode ser representada por um gráfico de curva, em que podemos visualizar as possíveis combinações eficientes entre risco e retorno.

Como aplicar a fronteira eficiente na gestão de portfólio de projetos?

Na gestão de portfólio de projetos a fronteira eficiente é um modelo gráfico que ajuda a selecionar melhor os projetos. Nesse modelo gráfico podemos visualizar uma curva derivada das possíveis combinações entre custo e retorno (na abordagem de projetos, geralmente o fator risco é substituído pelo fator custo).

Vamos a um exemplo prático para facilitar a compreensão:

Exemplo de curva de fronteira eficiente

Exemplo de curva de fronteira eficiente

Na imagem acima, é possível observar as combinações eficientes de retorno-custo de um projeto, representadas por pontos em uma curva. Cada combinação possui um percentual de retorno para um custo específico.

Ao visualizar esta curva, podemos verificar que vale a pena gastar até R$ 88 milhões neste projeto, pois com este investimento já obteríamos 82% do retorno possível. Ainda conforme o gráfico, para alcançar 100% do retorno no projeto, precisaríamos gastar mais R$ 141 milhões!

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É claro que pode ser válido investir as centenas de milhões adicionais se a empresa quiser e/ou necessitar alcançar o máximo de retorno. Contudo, provavelmente se iniciará um debate sobre se obter os 19% de retorno adicional vale realmente a pena.

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