Proposta de valor: aprenda tudo sobre ela e saiba como vender seu peixe

Uma frase bem escrita vale bem mais do que 1000 palavras — principalmente se você está tentando expressar a sua proposta de valor. Aliás, numa realidade onde há tantas organizações competindo no mesmo segmento, agregar valor ao cliente não é só um diferencial, é um pré-requisito.

Pensando nisso, preparamos este post para te explicar em detalhes o que é uma proposta de valor e como criar uma para a sua empresa, passo a passo. Continue conosco e aprenda como expressar o valor da sua empresa para o seu público!

O que é proposta de valor?

Proposta de valor é uma declaração que expressa de forma clara e concisa os benefícios oferecidos por uma empresa ao cliente, isto é, o que deve levá-lo a escolher aquela marca entre todas as outras.

O conceito da proposta de valor está diretamente relacionado à área de Marketing, tanto que o próprio Philip Kotler, um dos estudiosos mais conhecidos da área, afirma a importância dessa proposição: “Os profissionais de marketing devem aumentar — e comunicar claramente — o valor que suas marcas oferecem, assegurando que os consumidores aproveitem todos os benefícios financeiros, logísticos e psicológicos em comparação com a concorrência.”

Pode parecer simples, mas fazer isso de maneira clara é uma tarefa que exige bastante conhecimento do negócio e do público-alvo.

Você provavelmente já conheceu algumas marcas que descreviam suas atividades de um jeito tão vago que ficava difícil de compreender o que exatamente elas faziam, não é? Isso aconteceu porque elas tentaram resumir demais a proposta de valor, ou porque não tinham clareza o suficiente sobre como sua atividade-fim seria útil para os clientes.

Sendo assim, a principal característica de uma proposta de valor deve ser a capacidade de garantir um posicionamento sólido na mente do consumidor, fazendo com que a marca seja entendida e lembrada pelo público certo.

Assim como há vários tipos de necessidades que os clientes podem sentir, também há vários tipos de proposta de valor que a empresa pode oferecer. Dentro de um mesmo segmento, como o automobilístico, por exemplo, pode haver clientes que prezem mais pela segurança, pelo status, pela economia de combustível etc. Características como essas podem se transformar em diferentes propostas de valor.

Tipos de proposta de valor

É interessante destacar que, segundo Kotler, a proposta de valor é materializada por meio de uma oferta, que pode combinar produtos, serviços, informações e experiências. Assim, os esforços de uma empresa para gerar valor ao cliente podem ser distribuídos em várias frentes e satisfazer diferentes demandas.

Confira alguns exemplos:

  1. Inovação

Ofertas inovadoras, principalmente relacionadas ao mundo digital, atraem muitos consumidores que gostam da sensação de exclusividade que a tecnologia traz. Por isso, desde startups até empresas mais experientes do mercado (como a 3M, por exemplo) apostam no poder da novidade.

Quando a Apple lançou o primeiro smartphone, sua proposta de valor era “Think different.” (em português, “Pense diferente”). A ideia era oferecer uma alternativa aos dispositivos já disponíveis no mercado e proporcionar uma experiência única para os usuários, com uma tela sensível ao toque e a possibilidade de acesso à internet sem precisar de um computador.

  1. Segurança

Em alguns segmentos, a segurança é muito valorizada. No automobilístico, por exemplo, a Volvo se posiciona como a montadora dos veículos mais seguros do mercado, buscando atender à fatia do mercado que preza por essa qualidade. Hoje, todos associam rapidamente a marca aos recursos de segurança disponíveis nos automóveis, mostrando que a proposta de valor foi bem aplicada e entendida pelo público.

Mas não é só esse segmento que conta com propostas de valor relacionadas à segurança: as corretoras de seguro também se apoiam nela. Afinal, de que servem as seguradoras senão para garantir que o cliente não sofrerá grandes prejuízos? Para algumas pessoas, proteger o patrimônio contra riscos não é um adicional, é um item obrigatório.

  1. Desempenho

Empresas que utilizam o desempenho como proposta de valor frequentemente reportam-se a consumidores que prezam por resultados visíveis, isto é, produtos ou serviços que realmente funcionem e lhe entreguem o resultado de que precisam.

Uma das propostas de valor da Apple logo após o lançamento dos iPods e iPhones estava diretamente ligada ao desempenho, por exemplo. A frase “Tech that works.” (em português, “Tecnologia que funciona”) assegurava aos clientes que a tecnologia desenvolvida pela companhia proporcionaria uma experiência de uso perfeita.

Em um mercado onde já havia concorrentes estabelecidos, com a Microsoft e a Intel desenvolvendo notebooks e a Samsung investindo em sua linha de smartphones, a Apple foi capaz de demonstrar ainda mais valor por prezar não apenas pela inovação tecnológica, mas pela confiabilidade do desempenho de seus produtos.

  1. Personalização

Muitas pessoas têm a necessidade de consumir produtos ou serviços customizados que se adequem à sua rotina. Para atender essa demanda, várias empresas têm desenvolvido propostas onde o cliente pode escolher o que irá consumir: na Subway o consumidor escolhe o que irá no seu sanduíche, na Nike é possível personalizar tênis de acordo com o esporte a ser praticado, e em várias empresas de softwares o cliente pode escolher quais módulos do sistema deseja contratar.

Soluções feitas sob medida trazem ao consumidor a sensação de satisfação por estarem adquirindo um produto/serviço exatamente do jeito que desejavam, e é uma ótima oportunidade de geração de valor.

  1. Design

Ao contrário do que muitos pensam, design não refere-se apenas à estética, mas também às características funcionais de um produto. Um “design inovador” não busca apenas a beleza, e sim a solução de um problema por meio da organização de atributos visuais.

Os sulcos nos pneus, por exemplo, não estão lá por acaso: servem para garantir a aderência do veículo com o solo e escoar a água, evitando a aquaplanagem.

Hoje há cada vez mais empresas que apostam em um design inovador para satisfazer as necessidades de seus clientes: a brasileira Dobra, por exemplo, desenvolveu modelos de carteiras simples e funcionais feitos de material reciclável como alternativa às carteiras tradicionais e volumosas já presentes no mercado.

  1. Status

A proposta de valor visando status é comum em marcas de luxo em vários segmentos, como cosméticos, vestuário, acessórios e automóveis.

Como o preço dos produtos e serviços nesse segmento é elevado, a criação de valor precisa ser ainda maior. Por isso, o marketing investe fortemente em apelos visuais que atuem no campo emocional dos consumidores, que é onde nasce a necessidade por status — as propagandas de perfume são um bom exemplo disso.

  1. Redução de custos

Outra proposta de valor bastante explorada é a de redução de custos.

A GE, por exemplo, mudou o posicionamento de um de seus produtos durante a recessão nos Estados Unidos. A lavadora e secadora Profile, que na época custava cerca de U$3.500, passou a ter como proposta de valor a praticidade e a otimização de sabão e água, reduzindo o desperdício desses recursos e aumentando a vida útil das peças de roupa.

Desse modo, os clientes que precisavam economizar viram uma vantagem maior em adquirir a máquina da GE, que geraria ganhos a curto e a longo prazo.

Além da GE, bancos que oferecem cartões de crédito sem anuidade (como o Nubank, o C6 e o Inter, para citar alguns) apostaram pesado na proposta de redução de custos, conquistando boa parte dos consumidores insatisfeitos com as tarifas e burocracias dos bancos tradicionais.

  1. Conveniência

A conveniência é uma proposta de valor que tem como elemento central o conforto dos clientes. Produtos ou serviços que reduzem o esforço do usuário e trazem uma experiência diferenciada são os principais representantes dessa proposta. A Uber, por exemplo, conecta passageiros e motoristas com o objetivo de oferecer uma alternativa de transporte mais barata, simples e conveniente do que um táxi.

Outro exemplo são os serviços de streaming, como a Netflix, por exemplo, que surgiu como uma alternativa às antigas vídeo locadoras. Ao invés de ter que sair de casa e adquirir um filme ou série, o cliente só precisa pagar uma taxa mensal para ter acesso ilimitado a todos os itens do catálogo em qualquer lugar.

Esses foram apenas alguns dos diversos tipos de proposta de valor possíveis. Em um estudo publicado em 2016 na Harvard Business Review, pesquisadores identificaram 30 elementos de valor a partir da hierarquia das necessidades proposta por Maslow (auto realização, estima, social, segurança e fisiológica). Você pode conferir o estudo em inglês neste link.

Agora que você já domina o conceito da proposta de valor, que tal descobrir como construir a sua?

Como definir uma proposta de valor?

Para definir a sua proposta de valor, é preciso prestar atenção não só no que a sua empresa faz, mas também nas características do público que você deseja atingir. Com a ajuda de um Canvas da Proposta de Valor (ou Value Proposition Canvas), você pode fazer essa análise e então ter muito mais clareza para redigir uma proposta de valor eficiente.

É importante destacar, porém, que para cada segmento de clientes que você atingir, é necessário preencher um canvas diferente. Afinal, os perfis de cliente serão diferentes, e a maneira que você irá atendê-los também.

Confira o passo a passo para aprender a preencher o Canvas.

1. Identifique os trabalhos do cliente

Identifique os trabalhos do cliente

 

Os trabalhos do cliente são as atividades que os clientes têm de executar no dia a dia e têm relação com a sua oferta. Elas podem ser tarefas funcionais, tarefas sociais, tarefas emocionais ou necessidades básicas a serem satisfeitas. Seu papel é se colocar no lugar do seu cliente e listar todas elas.

Como tarefa funcional, podemos citar a solução de algum problema rotineiro, como a necessidade de deslocamento para o trabalho, por exemplo. As tarefas sociais referem-se à imagem que o cliente deseja manter em seu círculo social, recebendo elogios ou conquistando status.

As tarefas emocionais estão relacionadas à auto imagem do cliente, como a estética e a sensação de segurança, por exemplo. Por último, as necessidades básicas são as atividades feitas para manter a alimentação, a higiene, a comunicação e outras necessidades fisiológicas em dia.

2. Identifique as dores do cliente

Identifique as dores do cliente

O segundo item a ser preenchido é o das dores do cliente, ou seja, as experiências e impressões negativas que ele tem ao executar as tarefas.

Para identificar as dores do cliente, sugiro que você analise:

  • Se o seu cliente está satisfeito com os valores, o tempo e o esforço que tem que fazer;
  • Se o seu cliente está satisfeito com a qualidade e o desempenho dos produtos ou serviços que utiliza;
  • Se o seu cliente tem dificuldades ou sente que faltam funcionalidades nos produtos ou serviços que utiliza;
  • Se o seu cliente se sente ameaçado por algum risco;
  • Se há empecilhos que impedem o seu cliente de adotar uma solução mais eficiente.

3. Identifique os ganhos que o cliente deseja

Identifique os ganhos que o cliente deseja

A última análise a ser feita no perfil dos clientes é a dos ganhos que eles esperam encontrar — em outras palavras, o que faria seus olhos brilharem. O que o seu cliente considera uma solução perfeita?

Esses ganhos têm relação direta com as dores que você identificou no passo anterior. Então, se uma das dores do seu cliente é o desperdício de tempo ao realizar uma tarefa, por exemplo, o ganho relacionado seria a otimização desse tempo.

Algumas perguntas que podem te ajudar a identificar esses ganhos são:

  • Há formas de otimizar os custos, o tempo e o esforço que o cliente gasta?
  • Como seria o desempenho e a qualidade que o cliente espera?
  • Quais funcionalidades/recursos tornariam a experiência do cliente melhor?
  • De que forma a insegurança do cliente em relação ao risco X poderia ser evitada?
  • O que faria o cliente escolher investir em uma nova solução?

Respondendo a essas perguntas você terá preenchido todo o perfil do cliente do seu segmento. Agora, é hora de analisar a proposta de valor da sua oferta. Você irá perceber que os itens da proposta de valor irão coincidir os do perfil do cliente, funcionando como um espelho.

4. Liste seus produtos e serviços

Liste seus produtos e serviços

A parte de produtos e serviços envolve todos os componentes da sua oferta que podem ser úteis para ajudar seus clientes a realizarem suas tarefas.

Liste todos os produtos, serviços, informações e experiências que a sua organização pode oferecer que tenham valor para o cliente e classifique-os de acordo com a relevância na perspectiva dele.

5. Liste os aliviadores de dores

Liste os aliviadores de dores

Partindo da lista de produtos e serviços, é preciso detalhar como cada um deles solucionaria as dores dos clientes. Analise se eles têm a capacidade de otimizar tempo, custos e esforço, se têm funcionalidades que facilitam a rotina dos clientes, se fazem os clientes se sentirem melhor, se reduzem riscos e se eliminam as barreiras que impedem o seu cliente de adotar uma solução mais eficiente.

É importante que você também organize os aliviadores de acordo com a importância para o cliente, colocando os mais importantes no topo.

6. Liste os criadores de ganho

Liste os criadores de ganho

Nessa etapa, você irá descrever como os produtos ou serviços geram ganhos para o seu cliente, isto é, como agregam valor para ele.

A principal pergunta a ser feita nesse passo é: “Nossos produtos ou serviços criam benefícios que os nossos clientes esperam encontrar, otimizando recursos, melhorando desempenho, incluindo funcionalidades, reduzindo riscos e eliminando empecilhos?”

Liste os principais criadores de ganho e ordene-os a partir dos mais relevantes para o cliente.

Com todas as seções preenchidas, avalie se as tarefas, dores e ganhos do cliente são suficientemente atendidos pela sua solução. O ideal é que os produtos e serviços oferecidos na sua proposta de valor atendam os problemas e ganhos mais significativos para o cliente. Desse modo, o cliente enxergará vantagem em adotar a sua solução.

7. Formule a sua proposta de valor

Depois de preencher o Canvas, você já terá a proposta de valor da sua empresa na ponta da língua — só falta traduzi-la em palavras para poder divulga-la aos seus clientes!

Quando for fazer isso, lembre-se de utilizar poucas palavras, quebrar o conteúdo em tópicos e falar na mesma linguagem do seu público. O ideal é que você utilize um título impactante, um subtítulo mais explicativo e, se precisar, alguns bullet points para descrever benefícios mais pontuais.

O site da Uber, por exemplo, descreve a proposta de valor aos passageiros dessa maneira:

exemplo uber

Perceba que o uso das palavras “que você deseja” e “entre no carro e relaxe” demonstra a intenção da empresa de proporcionar uma experiência conveniente e confortável aos passageiros. Além disso, a imagem de uma passageira satisfeita com o smartphone na mão entrando em um veículo da empresa passa a ideia de que o serviço é simples e fácil de acessar.

Viu como é possível transmitir a mensagem certa em poucas linhas? O segredo para isso é conhecer muito bem a sua oferta e as dores e ganhos dos seus clientes.

Se você ainda não tiver clareza sobre isso, recomendamos o download do nosso Canvas da Proposta de Valor. Assim, você já tem um instrumento para começar a entender melhor o cenário da sua empresa e pode dar os primeiros passos em direção à proposta de valor correta!

TUDO sobre MATRIZ SWOT: o que é, passo a passo e dicas para aplicar no planejamento estratégico

Quando temos que tomar uma decisão, pesar os prós e os contras é algo que fazemos quase que intuitivamente. É normal pensarmos sobre quais são nossos pontos fracos e fortes e estimarmos as probabilidades de algo dar certo ou errado, principalmente antes de darmos um passo importante. Esse é mais ou menos o conceito por trás da matriz SWOT, uma ferramenta muito utilizada para entender a realidade das empresas e servir como ponto de partida para planejar estratégias e torna-las cada vez mais competitivas.

Quer entender tudo sobre matriz SWOT, como utilizá-la e ainda ver algumas dicas sobre a sua aplicação no planejamento estratégico? Então você está no lugar certo! Acompanhe o post e aprenda:

  • O que é a matriz SWOT
  • Como utilizar a matriz SWOT
  • Para que serve a matriz SWOT
  • Dicas para utilizar a matriz SWOT no planejamento estratégico

O que é a matriz SWOT?

A matriz SWOT, também conhecida como matriz FOFA, é uma ferramenta gerencial que examina o ambiente interno e externo de uma organização buscando encontrar oportunidades de melhoria e otimização do desempenho.

Por ser uma ferramenta simples e prática, a matriz SWOT pode ser usada em empresas de qualquer porte ou segmento de mercado. O nome SWOT provém de quatro palavras que começam com as letras da sigla:

  • Strengths, que significa forças;
  • Weaknesses, que significa fraquezas;
  • Opportunities, que significa oportunidades;
  • Threats, que significa ameaças.

Agora, vamos entender melhor, o que significa cada uma dessas palavras, que são as grandes perspectivas de análise da matriz SWOT.

Strengths (forças)

As forças são os pontos positivos da organização, as vantagens que ela tem em relação às outras empresas e que podem ser controladas e não dependem de fatores externos. Isso pode ser identificado, principalmente, na análise dos diferenciais oferecidos ao mercado, seja pela qualidade do atendimento, pelo desempenho do marketing, das finanças, da produção ou da organização como um todo.

Para revelar as forças da organização, é possível fazer perguntas como:

  • O que a empresa apresenta de diferencial em relação aos concorrentes?
  • Quais são as qualidades que nossos colaboradores e clientes percebem aqui dentro?
  • Quais são os recursos especiais que temos à disposição?
  • Quais são os diferenciais da nossa equipe?
  • Quais de nossos produtos fazem mais sucesso?
  • Somos reconhecidos no mercado por algum motivo especial?

Assim, conseguimos identificar alguns pontos que revelam a vantagem competitiva de organização.

Weaknesses (fraquezas)

É natural que uma organização também tenha suas fraquezas, pontos fracos em relação à concorrência que podem ser controlados internamente. Mas isso não precisa ser, necessariamente, um problema (afinal, nenhuma empresa é perfeita em tudo). Só se tem um problema se a fraqueza não for diagnosticada, ou pior, se for negligenciada na hora do planejamento de uma nova iniciativa estratégica.

Por exemplo, imagine que uma pizzaria que trabalha com delivery tem como fraqueza o número reduzido de colaboradores no atendimento ao cliente.

Num belo dia, o dono dessa pizzaria decide que irá fazer uma grande promoção para comemorar o Dia Internacional da Pizza, com a intenção de aumentar o volume de clientes e faturar mais. Porém, ao planejar essa promoção, o dono da pizzaria deixa de considerar que só tem uma pessoa disponível para atender o telefone e anotar os pedidos.

Chegando no dia da promoção, o telefone da pizzaria toca sem parar, a atendente não consegue anotar todos os pedidos e, pela pressão que estava recebendo, acaba se confundindo com alguns pedidos e deixando muitos clientes insatisfeitos com o atendimento. Parece um cenário nada agradável, não é?

Isso mostra que, mesmo que a pizzaria tivesse como força a qualidade dos ingredientes e a fidelidade dos clientes, essa fraqueza ignorada acabou passando uma imagem negativa da empresa e prejudicando seu desempenho. Por meio desse exemplo simples, queremos te ajudar a entender que é muito importante prestar atenção às fraquezas no negócio antes de partir para a ação.

Para descobrir as fraquezas da empresa, pode-se perguntar:

  • Quais lacunas e fraquezas podem ser encontradas na empresa em comparação à concorrência?
  • De que maneira a equipe e a relação com os clientes poderiam melhorar?
  • Como é a qualificação das pessoas na organização?
  • Quais são as reclamações mais frequentes?
  • Qual motivo mais contribui para a perda de vendas?

E quaisquer outras que ajudem a entender o que pode ser melhorado no ambiente interno

Opportunities (oportunidades)

As oportunidades são as forças externas que podem influenciar positivamente a sua empresa e que não podem ser controladas por ela (ao contrário das forças e das fraquezas). No exemplo que demos acima, o Dia Internacional da Pizza era uma oportunidade para a pizzaria, um fator externo que poderia lhe trazer benefícios, se bem aproveitado. Logo, as oportunidades são chances que a organização tem para se desenvolver, crescer e alcançar melhores resultados.

Algumas perguntas a serem feitas na análise das oportunidades são:

  • Como podemos agregar mais valor aos nossos produtos e/ou serviços?
  • Quais são os desejos e objetivos dos nossos clientes e como podemos cumpri-los?
  • Que tendências estão em alta em nosso setor?
  • Quais condições políticas, econômicas ou sociais podem ser favoráveis?
  • Existem novidades tecnológicas às quais podemos aderir?
  • Quais influências climáticas ou sazonais podem ser favoráveis?

Threats (ameaças)

Entende-se por ameaça todas as forças externas (que a empresa não pode controlar) que podem repercutir negativamente na organização e reduzir seu desempenho. Como a organização não tem poder sobre essas ameaças, não tem como combatê-las, mas pode se preparar para enfrentá-las.

É parecido com o que acontece quando é prevista a chegada de um furacão: as pessoas não têm como evitar que ele aconteça, mas podem se proteger de modo a minimizar os prejuízos. Então, no contexto empresarial, é muito importante que a organização reconheça as ameaças a que está exposta e se prepare para encará-las.

Crises econômicas, redução do limite de crédito dos consumidores, surgimento de novos concorrentes, aumento de impostos sobre insumos importados, diminuição ou suspensão de incentivos fiscais, mudança de hábitos de consumo, obsolescência de certas tecnologias e até mesmo aspectos climáticos podem ser grandes ameaças à saúde das empresas.

A empresa americana Kodak é um exemplo de como não lidar com essas ameaças. Mesmo tendo sido a pioneira no segmento das máquinas fotográficas e ter feito muito sucesso por décadas, a Kodak luta para sobreviver nos dias de hoje por não ter se adaptado às tendências do mercado à tempo.

O surgimento das câmeras digitais tornou-se uma grande ameaça para a empresa, que demorou para responder e acabou perdendo boa parte de seu marketshare. Se a organização tivesse feito um planejamento estratégico para contornar a iminente ameaça das câmeras digitais, provavelmente o cenário hoje seria muito diferente.

Agora que sabe tudo isso sobre matriz SWOT, que tal aprender como utiliza-la na sua empresa?

Como utilizar a matriz SWOT?

Como comentamos no início desse post, a matriz SWOT é um método muito simples e muito fácil de ser aplicado, tanto que pode ser usado em empresas de qualquer porte ou segmento, mas de qualquer modo é preciso saber como fazer para não se confundir. Vamos explicar aqui o passo a passo para que você não tenha nenhuma dificuldade:

1. Monte o esqueleto da sua matriz SWOT

Para montar o esqueleto da sua matriz SWOT, desenhe uma tabela 2×2. Em cada célula, coloque o nome de uma das perspectivas de análise. Sugerimos que você organize-as da seguinte forma:

matriz swot 1

Assim, na primeira linha temos os aspectos internos, que a empresa pode mudar, e na segunda linha temos os aspectos externos, que a empresa não tem poder para controlar. A primeira coluna conta com coisas positivas, que ajudam a organização a alcançar seus objetivos, e a segunda coluna sinaliza as coisas negativas, que podem ser obstáculos na busca pelos objetivos estratégicos. Ficou difícil de visualizar essas relações? Então observe neste modelo:

matriz swot 2

2. Faça a análise interna e externa da sua organização

Com o modelo em mãos, você pode partir para a análise da organização, tanto do ambiente interno quanto do ambiente externo.

Análise interna

A análise interna diz respeito às forças e fraquezas, os aspectos pelos quais a organização é responsável e tem o poder de mudar.

Existem várias formas de fazer essa análise, mas a mais recomendada é aquela que envolve as pessoas que vivem a realidade da empresa todos os dias: os colaboradores. As reuniões de brainstorming, por exemplo, são uma ótima alternativa para dar voz aos envolvidos e chegar a conclusões certeiras sobre as forças e fraquezas da organização.

Análise externa

Já a análise externa envolve as oportunidades e ameaças oferecidas pelo mercado e pelos fatores PESTEL: Políticos, Econômicos, Sociais, Tecnológicos, Ecológicos e Legais.

Para analisar o ambiente externo, é possível fazer pesquisas de mercado, benchmarking, participar de congressos e seminários para atualizar-se quanto às novas tecnologias e, sobretudo, ficar antenado para não perder nenhuma notícia ou tendência do mercado. Assim, você terá noção do que pode aparecer como oportunidade ou como ameaça ao seu negócio.

3. Relacione forças e fraquezas com oportunidades e ameaças

Por último, é necessário que você relacione as informações da sua matriz SWOT.

Tomando as forças como ponto de partida, você pode ponderar sobre como pode utilizá-las para potencializar as oportunidades identificadas. Além disso, preste atenção em como as forças podem ajudar a sua organização a se preparar contra as ameaças.

Depois, pense em como as fraquezas podem ser um risco para as oportunidades (como aconteceu naquele exemplo da pizzaria, em que uma oportunidade foi mal aproveitada por causa de uma fraqueza) e em como as fraquezas podem tornar as ameaças ainda mais perigosas.

A partir dessas relações, você pode começar a pensar em iniciativas estratégicas para maximizar as forças e tratar as principais fraquezas presentes na organização.

Descubra agora para quais fins a matriz SWOT pode ser útil.

Para que serve a matriz SWOT?

Tomadas de decisão

Quando nos deparamos com uma decisão importante a tomar, geralmente buscamos a maior quantidade de informações a respeito de cada caminho. Se dominamos todos os detalhes sobre cada caminho disponível, é muito mais provável que a tomada de decisão seja certeira. Por isso, o uso da matriz SWOT pode ser muito útil.

Com essa ferramenta, o gestor pode conhecer a fundo os pontos fracos e fortes do negócio, bem como as principais ameaças e oportunidades que o mercado oferece. Assim, pode planejar suas ações e decisões com base em dados reais e confiáveis, tendo mais segurança em relação aos resultados que cada iniciativa pode trazer.

Garantir a perenidade

A perenidade do negócio, isto é, a sua longevidade, é um dos maiores sonhos dos gestores (se não o maior). Estabelecer liderança no mercado, conquistar a confiança de clientes e fornecedores e prosperar financeiramente são coisas que só podem acontecer se a organização tiver credibilidade, e esta precisa de tempo para ser construída.

Nesse contexto, a matriz SWOT se faz importante pois é um meio de ajudar os gestores a tomar decisões estratégicas que contribuam para a saúde e a performance do negócio e, sendo assim, ajudam ele a manter-se competitivo e perene no mercado.

Planejamento estratégico

Como não poderíamos deixar de mencionar, o principal uso da matriz SWOT é servir de start para o planejamento estratégico, o momento em que a organização se mobiliza para planejar como vai alcançar sua missão e visão de futuro. Vamos falar mais sobre isso no próximo tópico.

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Dicas para utilizar a matriz SWOT no planejamento estratégico

1. Faça planos e tire-os do papel

Após a análise da matriz SWOT, você está pronto para elaborar planos estratégicos baseados no que você identificou. Foque em fortalecer a empresa diante da concorrência e em estabelecer condições para o crescimento contínuo de seu sucesso.

Mas fique atento! Para não ficar para trás, o timing significa muito. Então, não perca tempo e pense também em soluções rápidas para começar a mudar agora mesmo, como as quick-wins, que são pequenas mudanças que geram resultado em pouco tempo.

2. Envolva toda a equipe

Como falamos, muitas vezes as forças e fraquezas podem ser identificadas dentro da própria equipe.

Sendo assim, converse abertamente com eles sobre os resultados da análise da matriz SWOT e envolva-os no planejamento estratégico. Todos os colaboradores devem ter foco e motivação para correr atrás dos objetivos da organização.

3. Não tenha medo de mudar

A Matriz SWOT pode identificar ameaças e fraquezas que digam respeito à própria identidade da empresa. Portanto, para fortalecer-se, é fundamental não ter medo de mudar. Com planejamento e diálogo, a equipe se dedicará a alterar o que for necessário e encontrar novas forças e oportunidades nesse novo momento da empresa.

Esperamos ter tirado todas as suas dúvidas sobre o uso da matriz SWOT e sua relação com o planejamento estratégico. Se quiser saber mais sobre como e por que fazer o planejamento estratégico da sua organização, confira nosso webinar gratuito com dicas para construi-lo junto com a sua equipe.

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