Afinal, o que é Lean

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Afinal, o que é Lean?

Fica mais fácil falarmos sobre Lean se entendermos um pouco mais a história. Desde a década de 30 a Toyota já executava ações para melhorar a qualidade dos seus produtos, como depurar o seu processo de fabricação para identificar falhas e implementar a melhoria contínua, por exemplo. Estas ações começaram a ser aplicadas no modelo de produção da época, que tinha como foco a produção em massa. O conceito da produção em massa era de produzir grandes quantidades, com produtos uniformes para serem vendidos em larga escala. Um exemplo clássico é o de Henry Ford, que para aumentar sua produtividade só produzia carros pretos, coloração esta que tinha um tempo de secagem menor que outras colorações.

Após a II Guerra Mundial e com a economia japonesa abalada, as indústrias tiveram que se adequar ao novo mercado, pois o poder aquisitivo da população era baixo e a produção em massa não era compatível aos tempos de vacas magras vividos naquele momento. Eis que neste período em viagem aos Estados Unidos, Taiichi Ohno, da japonesa Toyota, observou que em um supermercado americano, o planejamento do reabastecimento das gôndolas era feito à medida que os produtos eram retirados das prateleiras pelos consumidores, e não à medida que os fornecedores entregavam os produtos no supermercado. Ao retornar ao Japão, Taiichi Ohno iniciou a implementação do conceito de supermercado na fábrica da Toyota, começando a produção de um novo produto à medida que um produto acabado era “puxado” pelo cliente. Neste momento, um grande passo foi dado à estruturação do Sistema Toyota de Produção (TPSToyota Production System).

O TPS era na verdade a “mentalidade enxuta” que conhecemos hoje, sendo que sua estrutura tem como base cinco princípios:

– Valor: Valor agregado ao produto do ponto de vista do cliente;

– Fluxo de Valor: Detalhar a cadeia produtiva para identificar desperdícios;

– Fluxo Contínuo: Dar fluidez aos processos que geram valor agregado;

– Produção Puxada: O cliente puxa o fluxo de valor;

– Perfeição: Foco de todos os envolvidos no emprego da qualidade na cadeia produtiva e na melhoria contínua;

Estes princípios são sustentados por dois pilares, tendo como principais características:

Just-in-time: A peça certa, no tempo certo e na quantidade certa;

Autonomação: Qualidade na fonte, gestão visual, processos à prova de erros “poka yoke”.

Com base nesta estrutura, o TPS busca eliminar desperdícios na cadeia produtiva, desde o fornecedor de matéria-prima até o produto acabado. Estes desperdícios são classificados em sete categorias, sendo elas:

Superprodução; Tempo de Espera; Transporte; Processamento; Estoque; Movimentação; Defeitos.

Isto quer dizer que todos os desperdícios aqui classificados, não irão alterar o produto acabado ao chegar ao cliente, ou seja, não geram valor agregado. Isto é fato, você como consumidor não quer pagar pela ineficiência do fabricante, certo?

Por exemplo, se o fabricante produz mais do que vende (superprodução), este excesso precisará ser armazenado, logo, será levado da linha de produção ao depósito (movimentação), e conseqüentemente ocupará um espaço físico (estoque), que custa dinheiro tanto pelo espaço, como pelo próprio custo do produto. A fábrica investiu dinheiro para ter o produto acabado, portanto produto parado é dinheiro parado. Todos os passos citados neste exemplo não alterarão as características do produto acabado que chegará ao cliente, sendo assim, não geram valor agregado na visão do cliente. Isto quer dizer, desperdício!

Tudo bem, entendi o espírito do negócio, mas até agora só falamos sobre o TPS. Onde entra o Lean nesta história?

Bom, na década de 80’ o (MITMassachusetts Institute of Technology) em um projeto de pesquisa sobre a indústria automobilística mundial, revelou que o TPS tratara a gestão das principais áreas de negócio de uma forma simples, porém inovadora, surgindo a partir daí o termo “Lean”. De lá pra cá o Lean já foi citado como ferramenta, metodologia, mas o termo mais adequado é a “Filosofia Lean”, pois agrupa um conjunto de pensamentos, técnicas e ferramentas, como seis sigma, Just-in-time, mudança cultural, produção puxada, kanban, etc.

O Lean, como conta a história, começou a ser conhecido por Lean Manufacturing devido a sua origem industrial, porém analisando seus pilares, princípios e os desperdícios que devem ser eliminados, o Lean tem sido muito difundido para outras áreas, como o Lean Service, por exemplo. Com isto, a mentalidade enxuta vem ganhando espaço nas mais diversas áreas, com cases de sucesso desde indústrias até hospitais.

Agora que você conheceu um pouco mais sobre o assunto, acompanhe nosso blog para em breve saber quais as principais dificuldades da implementação do Lean e que relação o Lean pode ter com Gerenciamento de Projetos.

Veja também:

Rafael Correa

Sócio diretor da Euax, graduado em Economia pela Univille, possui mais de 16 anos de experiência em projetos de desenvolvimento e implantação de software. É certificado PMP, ITIL Foundation e Lean IT.

6 thoughts on “Afinal, o que é Lean

  1. Muito bom o post Silvio, realmente não foi a toa que a Toyota dominou o mercado americano com o Corolla. Interessante a maneira de enxegar do Lean, mostrando como o desperdìcio acaba sempre sendo pago pelo cliente e quando ele é evitado, o valor economizado é agregado ao produto.Grande AbraçoRafael

  2. Muito bom o post Silvio, realmente não foi a toa que a Toyota dominou o mercado americano com o Corolla. Interessante a maneira de enxegar do Lean, mostrando como o desperdìcio acaba sempre sendo pago pelo cliente e quando ele é evitado, o valor economizado é agregado ao produto.Grande AbraçoRafael

  3. Realmente Rafael, o grande diferencial da Toyota foi a energia aplicada no TPS mesmo com o mercado em alta, ao contrário de outras montadoras, que se preocuparam em otimizar suas produções dentro de crises. A consequência disto foi a Toyota chegar muito bem preparada à crise econômica de 2008/2009, tornando-se líder em vendas exatamente neste período. Enquanto isto, concorrentes buscavam desesperadamente apoio financeiro de governos para manter suas portas abertas. A grande sacada do Lean é gerar valor agregado “na visão do cliente”, ou seja, é perceber o que o teu cliente verá de valor agregado naquele produto ou serviço, voltar pra dentro da sua empresa e buscar eliminar tudo o que esteja fora desta visão do cliente.

  4. Realmente Rafael, o grande diferencial da Toyota foi a energia aplicada no TPS mesmo com o mercado em alta, ao contrário de outras montadoras, que se preocuparam em otimizar suas produções dentro de crises. A consequência disto foi a Toyota chegar muito bem preparada à crise econômica de 2008/2009, tornando-se líder em vendas exatamente neste período. Enquanto isto, concorrentes buscavam desesperadamente apoio financeiro de governos para manter suas portas abertas. A grande sacada do Lean é gerar valor agregado “na visão do cliente”, ou seja, é perceber o que o teu cliente verá de valor agregado naquele produto ou serviço, voltar pra dentro da sua empresa e buscar eliminar tudo o que esteja fora desta visão do cliente.

  5. Legal, Silvio, nosso pessoal de Ti vai ter bastante para aprender com este assunto! Estou aguardando o próximo post.Octávio

  6. Legal, Silvio, nosso pessoal de Ti vai ter bastante para aprender com este assunto! Estou aguardando o próximo post.Octávio

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