Quais são as Etapas do Planejamento Estratégico

etapas do planejamento estratégico

O planejamento estratégico pode ser entendido como um processo gerencial realizado para elaborar a estratégia da organização. Antes mesmo de avaliar o processo de planejamento estratégico e outras questões sobre sua elaboração, é interessante ter uma visão macro de suas etapas. Dependendo do autor e da literatura consultada, as etapas do planejamento estratégico apresentam variações. Contudo, é possível elencar algumas etapas obrigatórias, que estão contempladas na maioria das metodologias, ainda que com nomes diferentes.

O post de hoje vai te explicar quais são as principais etapas do planejamento estratégico e o que é feito em cada uma delas.

Nesse texto você vai aprender:


Acompanhe!

As Etapas do Planejamento Estratégico

  1. Avaliação de ambiente
  2. Elaboração da estratégia
  3. Desenvolvimento do plano de execução
  4. Envolvimento das pessoas

Essas etapas são obrigatórias e pular alguma delas pode gerar prejuízos em outra. Confira o que acontece em cada uma das etapas do planejamento estratégico:

avaliação de ambiente

1. Avaliação de Ambiente

A avaliação de ambiente é o momento para coletar informações e construir um consenso sobre a situação atual da empresa. Isso significa criar uma visão compartilhada da organização entre todas as pessoas. Nesse sentido, as informações levantadas podem se referir a aspectos externos e internos.

Análise Externa

Nos aspectos externos verifica-se como os fatores de fora afetam a organização. Eles podem ser fatores políticos, sociais, culturais, econômicos, comportamentais etc. Veja alguns exemplos do que pode ser avaliado:

  • Dados demográficos: idade, gênero, classe social etc.
  • Cenário econômico: quais as condições econômicas atuais? Quais os impactos delas para o negócio?
  • Cenário de inovações tecnológicas: quais as principais novidades no mercado tecnológico? Como o negócio pode se beneficiar dessas inovações?
  • Nível de competitividade do mercado: qual a posição dos concorrentes no mercado? A competição está acirrada?
  • Tendências para o ramo em que a empresa atua: o que os concorrentes estão fazendo? O que é mais provável que aconteça agora?
  • Comportamento do público-alvo: quem é o público-alvo da empresa? O que o público-alvo espera, quais seus desejos e expectativas?

Para a análise externa da organização é comum utilizar o benchmarking. Essa prática é o ato das empresas compararem a si mesmas com outras organizações. Normalmente isso permite identificar o que está funcionando nas outras empresas para tentar reproduzir isso na sua própria estratégia. Não se trata de copiar, mas sim de captar a essência do que dá certo e trabalhar em cima disso.

Outra ferramenta bastante utilizada é a Jornada do Cliente, que permite o mapeamento dos sentimentos dos consumidores ao longo da jornada de compra. Caso você deseje conhecer como funciona a aplicação dessa ferramenta na prática, assista ao nosso webinar gratuito. Ele mostra o uso da jornada do cliente em um caso real na compra de um notebook.

Jornada do cliente

Análise Interna

Já nos aspectos internos, a organização vai olhar para si e identificar:

  • Pontos fortes e fracos: quais aspectos positivos da empresa podem ser potencializados? Quais os pontos de melhorias?
  • Recursos disponíveis: quais recursos humanos, financeiros e materiais podem ser utilizados?
  • Riscos envolvidos: quais os riscos em que a empresa está envolvida?
  • Entre outros aspectos.

Uma metodologia muito usada para analisar tanto o ambiente interno como o externo é a matriz SWOT, também chamada de F.O.F.A. SWOT é um acrônimo para:

  • (S)trenghts: análise dos pontos fortes;
  • (W)eaknesses: identificação dos pontos fracos;
  • (O)pportunities: reflexão sobre as oportunidades;
  • (T)hreats: perigos ao negócio.

Para saber mais sobre essa ferramenta de planejamento estratégico, leia o artigo completo sobre matriz SWOT.

Vale ressaltar que a avaliação de ambiente pode exigir a contratação de pessoal externo. Isso porque existem algumas questões que precisam ser tratadas com profundidade. Muitas vezes, o comitê estratégico não possui tempo hábil para lidar com essas questões. Então ter um especialista de fora da empresa ajuda muito.

É importante também envolver outras pessoas de dentro da empresa, fora o comitê estratégico e o especialista externo. O restante dos colaboradores precisa se sentir parte do planejamento, mesmo que só se envolvam com um pedaço dele. Como não dá para ter um comitê estratégico muito grande, esta é uma boa saída para aumentar a participação das pessoas no planejamento.

Resumindo: a avaliação de ambiente tem a ver com todos os aspectos e capacidades da empresa, como processos, pessoas e estrutura organizacional. Mais do que levantar todas as informações sobre ambiente interno e externo, é essencial garantir que todos entendam a situação do negócio. Do contrário, pode ser que a empresa comece a tomar decisões com informações parciais.

elaboração da estratégia

2. Elaboração da Estratégia

Uma das etapas do planejamento estratégico fundamentais é a elaboração da estratégia. Após entender os fatores ambientais que cercam a empresa, o próximo passo é pensar na estratégia propriamente dita.

Por isso, é necessário descobrir uma vantagem competitiva – se a empresa ainda não sabe – ou reconfirma-la, se a empresa já tem uma. Uma vantagem competitiva nada mais é do que um diferencial percebido pelo cliente, como qualidade, preço, velocidade etc. Nesse sentido, ela pode ser decisiva na hora do cliente optar por uma empresa X ou Y.

Num ambiente competitivo é muito difícil construir um diferencial, mas não é possível avançar no planejamento estratégico sem ter isso definido. Não tem jeito, é importante usar a criatividade! Mas, novamente: o consumidor precisa notar a vantagem competitiva como um benefício para que ele realmente enxergue o valor de um produto ou serviço. A partir da definição da vantagem competitiva, o próximo passo é descrever a estratégia em objetivos.

Os chamados objetivos estratégicos traduzem a visão da empresa, isto é, onde a organização deseja estar no futuro. Dessa forma, os objetivos são diferentes das metas, que indicam o que fazer para alcançar a visão de futuro. Para quem utiliza o Balanced Scorecard (BSC), este é o momento de utilizá-lo na estratégia. A partir da definição de 3 ou 4 temas estratégicos, é possível pensar os objetivos estratégicos de forma mais focada no que a organização precisa.

São exemplos de temas estratégicos:

  • Internacionalização;
  • Experiência do Cliente Superior;
  • Expansão Geográfica;
  • Excelência Operacional;
  • Crescimento por Aquisições.

São exemplos de objetivos estratégicos:

  • Adequar os produtos aos padrões internacionais;
  • Aumentar o número de clientes reativos;
  • Abrir uma nova unidade de negócio;
  • Reduzir os custos de produção;
  • Investir em avanços tecnológicos.

Note que o Balanced Scorecard não ajuda na análise de ambiente nem na elaboração da estratégia. Ele pressupõe a utilização de outras ferramentas para isso, como a Estratégia do Oceano Azul, Business Model Canvas, Matriz SWOT ou o benchmarking, que mencionamos anteriormente. Então, cuidado com a metodologia utilizada! Se você está com dúvidas ou inseguro quanto ao método, pode ser interessante contratar uma consultoria especializada em estratégia.

Além disso, se você deseja saber mais sobre como utilizar o BSC na sua organização, assista ao nosso webinar gratuito “BSC é para execução estratégia, não para formulação” e tire suas dúvidas!

desenvolvimento do plano de execução

3. Desenvolvimento do Plano de Execução

O plano de execução é o coração do planejamento estratégico. Mas, como vimos, é consequência direta das outras duas etapas. Se tivéssemos pulado a análise de ambiente e a elaboração da estratégia, provavelmente as dificuldades de construir um plano de execução dobrariam de tamanho. Então, é muito importante seguir todas as etapas.

O plano de execução é o detalhamento da estratégia, que permite o seu monitoramento. Dessa forma, ele funciona como a rota pré-estabelecida para alcançar a visão de futuro. Lembra dos objetivos que estabelecemos na fase anterior? Eles também vão compor o plano de execução.

Objetivos e indicadores estratégicos

Cada objetivo vai ter uma meta e um indicador. Como já vimos, o objetivo é aquilo que a empresa deseja alcançar. Já a meta é um patamar de um indicador de desempenho que a organização precisa chegar, geralmente superior aos níveis atuais já que envolve mudanças. Portanto, as metas devem ser factíveis e desafiadoras. Mas também não podem ser impossíveis ou muito fáceis de conquistar. O ideal é que a empresa possua metas SMART: específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e temporais.

Cada objetivo tem indicadores drivers (direcionadores) e um indicador outcome (resultante). Assim fica mais fácil entender como os indicadores estão conectados e o que está dando certo (ou errado) na estratégia. Então, os indicadores sinalizam o caminho percorrido.

Iniciativas estratégicas

Outro ponto importante do plano de execução são as iniciativas estratégicas. O termo “iniciativas estratégicas” normalmente é usado para designar ações, projetos ou programas. Portanto, essas iniciativas viabilizam a mudança necessária, consolidada nas metas. Para saber mais sobre gerenciamento de projetos assista ao nosso webinar gratuito e aprenda a selecionar os melhores indicadores para os seus projetos.

melhores indicadores projeto

No desenvolvimento do plano de execução também é possível desdobrar a estratégia em planos auxiliares, sejam eles específicos ou por departamentos. Isso vai depender do nível de maturidade da organização. Talvez a empresa prefira um planejamento estratégico mais simples no momento e depois comece a trabalhar com planos auxiliares.

São exemplos de planos auxiliares específicos:

  • Plano de Marketing;
  • Plano Estratégico de Tecnologia da Informação;
  • Plano Estratégico de Gestão de Pessoas.

São exemplos de planos auxiliares por departamento:

  • Plano Estratégico de Vendas;
  • Plano Estratégico de Produção.

Outro ponto importante do plano de execução é o accountability. Como assegurar que os objetivos realmente estão sendo perseguidos pelas pessoas? É possível fazer isso por meio de acordos de resultados. Um acordo, é literalmente, um tratado firmado entre o colaborador e a empresa. Portanto, ele traduz aquilo que a empresa espera do colaborador e aquilo que o colaborador se compromete a entregar.

Se, mediante o prazo estabelecido, o colaborador não conseguir entregar o que foi fechado no acordo, ele deve se justificar. Então não se trata de culpar alguém por não ter dado certo, e sim de encontrar o porquê não deu certo e trabalhar em ações de recuperação.

envolvimento das pessoas

4. Envolvimento das Pessoas

A última das etapas do planejamento estratégico é o envolvimento das pessoas. Embora seja a última nesta lista, não é menos importante que as outras. Aliás, é possível dizer que esta última etapa permeia todas as etapas anteriores. Afinal, todas elas incluem as pessoas.

Mas o que significa envolver as pessoas? Envolver as pessoas é torna-las parte da estratégia de negócio. É garantir que elas compreendam, gostem e se comprometam com a estratégia. Contudo, não é fácil gerar engajamento. É preciso fazer um esforço coletivo, com base em muita comunicação.

Algumas práticas interessantes para ajudar no envolvimento das pessoas seriam:

  • Treinar e desenvolver as pessoas para que elas façam seu trabalho melhor;
  • Incluir as pessoas como participantes do planejamento estratégico, seja no comitê estratégico ou em um pedaço do planejamento;
  • Reforçar a missão, visão e valores da empresa aos colaboradores;
  • Investir no alinhamento dos times com a estratégia;
  • Apostar em canais de comunicação e educação, como uma Universidade Corporativa.

Lembre-se: a falta de envolvimento das pessoas é um dos motivos pelos quais a estratégia das organizações falha. Portanto, assegure que uma das etapas do planejamento estratégico priorize as pessoas!

Conclusão

Essas foram as quatro etapas do planejamento estratégico. Depois do planejamento, ainda existe a fase de execução e monitoramento da estratégia. Na execução, é hora de botar a mão na massa e concretizar tudo o que foi definido no plano de execução. O monitoramento, por sua vez, significa ficar de olho no andamento das coisas, para garantir que a empresa está no caminho certo. Se necessário, podem ser feitos ajustes no plano. Mas isso é assunto para outro post.

Quer se aprofundar mais na execução e monitoramento estratégico? Assista ao nosso webinar gratuito e saiba quais são as cerimônias necessárias para manter o planejamento estratégico. Se preferir um conteúdo em texto, leia nosso artigo sobre os tipos de planejamento estratégico.

cerimônias necessárias para manter o planejamento estratégico

Jackson Rovina

Fundador e sócio presidente da EUAX, bacharel em Administração de Empresas, especialista em Finanças Empresariais e MBA em Gerenciamento de Projetos, possui mais de 25 anos de experiência com estratégia, é Kaplan-Norton BSC Certified Graduate pela Palladium.

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